“Meu filho precisa evitar esse alimento para sempre? Não existe nenhum tratamento?”

Essa é uma dúvida frequente entre famílias que convivem com a alergia alimentar. A necessidade de ler rótulos, evitar restaurantes e viver com medo de uma exposição acidental pode afetar a rotina e a qualidade de vida.

A boa notícia é que a medicina avançou. Para alguns pacientes, a imunoterapia para alergia alimentar pode aumentar a quantidade do alimento necessária para provocar uma reação. Mas o tratamento tem indicações específicas e nunca deve ser realizado por conta própria.

O que é a imunoterapia para alergia alimentar?

A imunoterapia oral consiste na ingestão de pequenas quantidades do alimento ao qual o paciente é alérgico, com aumento gradual e controlado da dose.

O objetivo principal é promover a dessensibilização. Isso significa aumentar o limiar de reação para reduzir o risco de uma resposta grave em caso de exposição acidental.

É importante entender que a imunoterapia:

  • Não é uma cura imediata
  • Não permite comer o alimento livremente
  • Não elimina a necessidade de acompanhamento
  • Pode provocar reações durante o tratamento
  • Deve seguir um protocolo individualizado

Em alguns casos, o benefício pode persistir por mais tempo, mas isso varia de acordo com o alimento, a idade, o perfil imunológico e a resposta de cada paciente.

Para quais alergias existe mais experiência?

A maior parte dos estudos envolve a alergia ao amendoim, especialmente em crianças.

Também existem pesquisas e protocolos envolvendo leite de vaca, ovo e outros alimentos. No entanto, a indicação não é igual para todos os tipos de alergia alimentar.

A programação do próximo Congresso Brasileiro de Alergia e Imunologia inclui discussões sobre imunoterapia oral, biológicos e novas estratégias para alergia alimentar — mostrando como o tema está evoluindo na prática da especialidade.

Quando a imunoterapia pode ser indicada?

A indicação depende de uma avaliação completa. Em geral, o alergologista considera:

  • Alergia alimentar confirmada, geralmente mediada por IgE
  • Persistência da alergia ao longo do tempo
  • Reações relevantes ou risco de exposição acidental
  • Idade e capacidade da criança e da família de seguir o protocolo
  • Controle adequado da asma, quando presente
  • Disponibilidade de acompanhamento médico regular
  • Benefícios esperados em relação aos riscos

Antes de pensar na imunoterapia, é fundamental confirmar se o paciente realmente tem alergia. Exames positivos isolados não significam necessariamente alergia clínica.

Em algumas situações, o Teste de Provocação Oral pode ser necessário. Ele é realizado com oferta controlada do alimento e supervisão médica, sendo considerado o padrão de referência para esclarecer determinados diagnósticos.

A imunoterapia oral é segura?

Ela pode ser segura quando indicada para o paciente correto e realizada por equipe treinada, mas não é isenta de riscos.

Durante o tratamento, podem ocorrer:

  • Coceira na boca
  • Dor abdominal
  • Náuseas ou vômitos
  • Urticária
  • Chiado no peito
  • Reações alérgicas mais intensas

Por esse motivo, a primeira administração e os aumentos de dose são feitos conforme protocolo médico. A família também recebe orientações sobre os cuidados em casa e sobre o uso da adrenalina em caso de reação grave.

Nunca tente fazer imunoterapia oferecendo pequenas quantidades do alimento em casa. Uma dose considerada pequena pode desencadear anafilaxia em um paciente sensibilizado.

Imunoterapia oral é diferente de imunoterapia para rinite?

Sim.

Na rinite alérgica, a imunoterapia utiliza alérgenos como ácaros e pólens, geralmente por via subcutânea ou sublingual. Na alergia alimentar, o tratamento envolve o próprio alimento e exige cuidados específicos.

Por isso, o protocolo usado para rinite não deve ser adaptado para alergia alimentar. São tratamentos diferentes, com objetivos, riscos e formas de acompanhamento próprios.

E os medicamentos biológicos?

Os imunobiológicos, como os medicamentos anti-IgE, também estão sendo estudados e utilizados em situações específicas. Eles podem aumentar o limiar de reação e, em alguns casos, ser considerados isoladamente ou associados à imunoterapia oral.

Entretanto, não são indicados para todos os pacientes e não substituem automaticamente a dieta orientada, o plano de emergência ou a avaliação do alergologista.

A dieta de exclusão ainda é necessária?

Em muitos casos, sim. Até que o especialista defina outra estratégia, o alimento responsável pela alergia deve continuar sendo evitado.

A exclusão precisa ser orientada para não causar prejuízos nutricionais. Retirar vários alimentos sem confirmação diagnóstica pode levar a dietas desnecessariamente restritivas e afetar a qualidade de vida.

Leia também: Alergia alimentar x intolerância alimentar: qual a diferença? e Imunoterapia em crianças: o que os pais precisam saber.

Quando procurar o alergologista?

  • Alergia alimentar confirmada ou suspeita
  • Reação após comer amendoim, leite, ovo, castanhas ou outros alimentos
  • Episódio de urticária, inchaço, vômitos ou falta de ar após uma refeição
  • Medo constante de uma exposição acidental
  • Interesse em imunoterapia oral ou tratamentos biológicos
  • Dúvidas sobre dieta de exclusão e leitura de rótulos
  • Necessidade de um plano de emergência para a família e a escola

A alergia alimentar não deve ser enfrentada apenas com medo e restrições. Uma avaliação especializada pode esclarecer o diagnóstico, orientar a prevenção e verificar se existe algum tratamento além da simples exclusão do alimento.

Agendamento: (82) 99348-8989 | (82) 3023-0152

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