“Doutor, meu filho vive gripado. Não aguento mais ver ele sofrendo com rinite. Tem alguma coisa que cure de vez?”

Essa pergunta se repete todos os dias nos consultórios de alergologia pediátrica. A resposta, para muitos casos, é sim — existe um tratamento que ataca a causa da alergia, e não apenas os sintomas. Ele se chama imunoterapia alérgeno-específica, popularmente conhecida como “vacina de alergia”. E quando iniciada na infância, os resultados são ainda melhores.

O que é imunoterapia?

Diferente dos anti-histamínicos e sprays nasais — que apenas aliviam temporariamente — a imunoterapia “reeduca” o sistema imunológico da criança. Em vez de reagir de forma exagerada a substâncias inofensivas como ácaros, pólen e pelos de animais, o organismo aprende a tolerá-las.

É o único tratamento capaz de modificar a história natural da doença alérgica. Ou seja: não é paliativo. É tratamento de fundo.

A partir de que idade pode começar?

  • Subcutânea (injeção): a partir dos 5 anos de idade. É a forma com maior nível de evidência científica.
  • Sublingual (gotas): pode ser iniciada a partir dos 3 a 4 anos. As gotas são aplicadas embaixo da língua, em casa, eliminando o desconforto da agulha.

Para quais alergias funciona?

  • Rinite alérgica: a maior indicação. Crianças que vivem com nariz entupido e respiram pela boca são as principais candidatas.
  • Asma alérgica: reduz crises, uso de bombinha e idas ao pronto-socorro. As diretrizes GINA 2026 recomendam a imunoterapia como parte do tratamento de controle.
  • Conjuntivite alérgica e dermatite atópica em casos selecionados.

É segura para crianças?

Sim — quando feita com indicação correta e supervisão especializada. Os efeitos colaterais mais comuns são locais e leves: vermelhidão ou inchaço no local da injeção, ou coceira na boca (via sublingual). Reações graves são raras — por isso o tratamento sempre começa no consultório médico, com doses progressivas. Não se inicia imunoterapia sem acompanhamento especializado.

Quanto tempo dura?

O tratamento completo leva de 3 a 5 anos. Os primeiros resultados aparecem entre 3 e 6 meses. A grande vantagem: os benefícios permanecem após o término do tratamento — algo que nenhum antialérgico consegue fazer.

Como tornar o tratamento mais fácil para a criança?

  • Explique com linguagem simples: “É um remedinho que vai ensinar seu corpo a não brigar com o ácaro”
  • Celebre as pequenas vitórias: “Olha, esta semana você não espirrou nenhuma vez!”
  • A via sublingual é grande aliada em crianças pequenas — sem agulha, sem choro

Quando procurar o alergologista?

  • Criança com rinite ou asma que usa medicamento todo dia e mesmo assim não fica bem
  • Crises que atrapalham a escola, o esporte e o sono
  • Uso frequente de antibióticos por “sinusite de repetição” — que muitas vezes é rinite não tratada
  • Respiração pela boca, ronco noturno e alterações dentárias
  • Histórico familiar forte de alergia e desejo de intervir precocemente

Quanto antes o tratamento começar, melhor. A imunoterapia na infância não só trata a alergia de hoje — ela previne a progressão da marcha atópica, reduzindo o risco de a criança desenvolver asma no futuro.

Agendamento: (82) 99348-8989 | (82) 3023-0152