“Meu filho vive gripado. Mal melhora e já começa tudo de novo. Será que ele está com a imunidade baixa?”

Essa é uma preocupação muito comum entre os pais, especialmente quando a criança frequenta a escola ou a creche. Mas nem sempre uma criança que apresenta coriza, tosse e nariz entupido está com baixa imunidade.

Em muitos casos, os sintomas são causados por rinite alérgica ou por resfriados sucessivos — situações diferentes, que precisam ser reconhecidas.

O que significa “baixa imunidade”?

“Baixa imunidade” é uma expressão popular, mas não representa um diagnóstico único. O sistema imunológico pode estar funcionando normalmente, mesmo quando a criança adoece várias vezes ao ano.

Crianças pequenas entram em contato frequente com vírus na escola, na creche e em outros ambientes coletivos. Além disso, alguns sintomas podem persistir por dias ou semanas depois de uma infecção, dando a impressão de que a criança nunca melhora.

As imunodeficiências, também chamadas de erros inatos da imunidade, são condições específicas em que alguma parte do sistema de defesa não funciona adequadamente. Elas são menos comuns e não podem ser diagnosticadas apenas pela quantidade de resfriados.

Como diferenciar rinite de resfriado?

Características mais comuns da rinite alérgica

A rinite costuma provocar:

  • Espirros repetidos, muitas vezes em sequência
  • Coriza transparente
  • Coceira no nariz, nos olhos ou na garganta
  • Nariz entupido
  • Olheiras
  • Respiração pela boca
  • Sintomas que pioram ao acordar, ao limpar a casa ou em contato com poeira
  • Ausência de febre na maioria dos casos

A rinite pode durar semanas ou retornar sempre que a criança entra em contato com determinado gatilho. Por isso, os pais podem interpretar a repetição dos sintomas como várias gripes.

A doença também pode atrapalhar o sono, o rendimento escolar e a qualidade de vida.

Características mais comuns do resfriado

O resfriado é causado por vírus e pode apresentar:

  • Coriza
  • Nariz entupido
  • Tosse
  • Dor ou irritação na garganta
  • Cansaço
  • Mal-estar
  • Febre em alguns casos

A criança pode ter um resfriado, melhorar e, pouco tempo depois, entrar em contato com outro vírus. Isso é especialmente frequente nos primeiros anos de convivência escolar.

A cor do catarro, isoladamente, não permite dizer se a infecção é bacteriana ou se a criança precisa de antibiótico.

Por que a rinite pode parecer uma gripe que nunca acaba?

A inflamação alérgica mantém a mucosa do nariz irritada. Enquanto o gatilho continua presente, os sintomas podem persistir.

Entre os fatores que pioram a rinite estão:

  • Poeira e ácaros
  • Mofo
  • Fumaça de cigarro
  • Cheiros fortes
  • Poluição
  • Pelos e partículas trazidas por animais
  • Mudanças de temperatura
  • Ambientes pouco ventilados

A criança pode parecer constantemente resfriada, mas apresentar, na verdade, uma rinite sem tratamento adequado.

Leia também: Rinite alérgica: por que piora à noite e de manhã?

Quando as infecções de repetição merecem investigação?

A frequência das infecções é apenas uma parte da avaliação. O alergologista ou imunologista pediátrico também observa a gravidade, a duração, o local das infecções e a resposta ao tratamento.

Alguns sinais de alerta são:

  • Duas ou mais pneumonias em um ano
  • Infecções de ouvido muito frequentes ou complicadas
  • Sinusites graves ou persistentes
  • Necessidade de antibiótico intravenoso ou internação
  • Infecções que não melhoram como esperado com o tratamento
  • Abscessos profundos ou recorrentes
  • Infecções por microrganismos incomuns
  • Sapinho persistente ou recorrente fora do período esperado
  • Diarreia crônica associada a baixo ganho de peso
  • Dificuldade para crescer ou ganhar peso
  • Doenças autoimunes ou inflamações sem explicação
  • História familiar de imunodeficiência

Esses sinais não confirmam uma imunodeficiência, mas indicam que a criança pode precisar de uma avaliação mais detalhada.

Que exames podem ser necessários?

A investigação começa com uma conversa detalhada e o exame físico. O médico avalia:

  • Quando as infecções começaram
  • Quantas vezes ocorreram
  • Quais órgãos foram afetados
  • Se houve internações
  • Quais antibióticos foram usados
  • Como está o crescimento
  • Se as vacinas estão atualizadas
  • Se há casos semelhantes na família

Dependendo da história, podem ser solicitados exames como hemograma, dosagem de imunoglobulinas e outras avaliações específicas.

Não é necessário fazer um “check-up da imunidade” em toda criança que apresenta resfriados frequentes. Os exames devem ser escolhidos de acordo com os sinais encontrados na consulta.

O que os pais podem fazer no dia a dia?

  • Manter a vacinação atualizada
  • Evitar exposição à fumaça de cigarro
  • Ventilar os ambientes
  • Controlar mofo e umidade
  • Ensinar a lavagem correta das mãos
  • Não oferecer antibióticos sem prescrição
  • Evitar xaropes e suplementos anunciados como “fortalecedores da imunidade”
  • Observar se os sintomas aparecem sempre nos mesmos ambientes
  • Anotar datas, diagnósticos, tratamentos e internações

A alimentação adequada, o sono e o acompanhamento pediátrico também fazem parte dos cuidados gerais. Entretanto, não substituem a investigação quando existem sinais de alerta.

Quando procurar o alergologista pediátrico?

  • Nariz entupido ou coriza durante muitas semanas
  • Espirros e coceira frequentes
  • Respiração pela boca ou ronco
  • Sintomas que atrapalham o sono ou a escola
  • Infecções muito graves ou prolongadas
  • Pneumonias, sinusites ou otites recorrentes
  • Uso frequente de antibióticos
  • Baixo ganho de peso ou dificuldade para crescer
  • Suspeita de alergia associada a infecções recorrentes
  • História familiar de imunodeficiência

Seu filho viver com coriza não significa automaticamente que ele tenha baixa imunidade. Muitas vezes, o problema é uma rinite alérgica não identificada. Em outras situações, a repetição, a gravidade ou a dificuldade de recuperação justificam investigar o sistema imunológico.

Uma avaliação adequada evita tanto a preocupação desnecessária quanto a demora para reconhecer uma condição que precisa de tratamento.

Agendamento: (82) 99348-8989 | (82) 3023-0152

Fontes confiáveis