Mulher com sintomas de rinite alérgica e asma durante o inverno

“Todo inverno é a mesma coisa, doutor — meu nariz entope, os espirros não param e parece que nunca vou melhorar.” Essa é uma das queixas mais comuns no consultório nesta época do ano. E não é coincidência: o inverno reúne, de uma só vez, vários fatores que desencadeiam e agravam as crises de rinite alérgica e asma.

Segundo a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), cerca de 30% da população brasileira sofre com rinite alérgica, e uma parte significativa desses pacientes percebe piora importante durante os meses mais frios. Mas por que isso acontece — e, mais importante, o que fazer para não sofrer todo inverno?

Por que a rinite e a asma pioram no frio?

Não é o frio em si o vilão. São os hábitos e as condições ambientais que o inverno traz:

Ambientes fechados e ácaros. No frio, passamos mais tempo em casa, com janelas fechadas e pouca ventilação. O resultado é uma concentração muito maior de ácaros — especificamente o Dermatophagoides pteronyssinus, principal gatilho da alergia respiratória no Brasil. Colchões, cobertores e edredons guardados por meses viram reservatórios perfeitos para esses microorganismos.

Ar seco e mucosas irritadas. O ar frio tem menos umidade. Isso resseca a mucosa nasal e brônquica, que fica mais vulnerável à inflamação. É como se a barreira natural de proteção das vias aéreas ficasse mais fina e permeável.

Mudanças bruscas de temperatura. Sair do ambiente aquecido para o ar frio da rua — ou o contrário — provoca um reflexo nas vias aéreas chamado broncoespasmo paradoxal, especialmente em quem tem asma. É por isso que muitos pacientes tossem ou sentem falta de ar ao sair de casa pela manhã.

Infecções virais. O inverno concentra os vírus respiratórios (gripe, resfriado, VSR). Em pacientes alérgicos, uma simples infecção viral pode desencadear uma crise prolongada de asma ou exacerbar a rinite por semanas.

O que fazer para aliviar os sintomas?

  • Mantenha o ambiente ventilado. Mesmo no frio, abra as janelas por pelo menos 30 minutos ao dia. A circulação de ar reduz a concentração de ácaros e mofo.
  • Lave cobertores e edredons antes de usar. Roupas de cama guardadas acumulam ácaros. Lave com água quente (acima de 55°C) ou use capas antiácaro em colchão e travesseiro.
  • Hidrate as vias aéreas. Soro fisiológico nasal 2 a 3 vezes ao dia ajuda a manter a mucosa úmida e a remover partículas irritantes.
  • Evite mudanças bruscas de temperatura. Proteja nariz e boca com cachecol ao sair de casa — isso aquece e umidifica o ar antes de chegar às vias aéreas.
  • Não abandone o tratamento de controle. Se você tem asma ou rinite persistente, o corticoide inalatório ou nasal deve ser usado regularmente, mesmo nos períodos sem crise. A interrupção no inverno é a principal causa de idas ao pronto-socorro.

Tratamentos que vão além do alívio imediato

Para quem sofre com crises repetidas todo inverno, há opções que tratam a causa — não apenas os sintomas:

  • Imunoterapia (vacina de alergia): o único tratamento capaz de modificar a resposta do sistema imunológico ao ácaro. Após 3 a 5 anos de tratamento, o paciente deixa de reagir de forma exagerada ao alérgeno. Os benefícios se mantêm mesmo após o término das aplicações.
  • Imunobiológicos: para casos de asma alérgica grave que não respondem ao tratamento convencional, medicamentos como o omalizumabe bloqueiam a via da alergia de forma precisa.

Quando procurar o alergologista?

  • Crises de rinite ou asma que pioram todo inverno e limitam suas atividades
  • Uso frequente de bombinha de resgate (mais de 2 vezes por semana)
  • Despertares noturnos por tosse, chiado ou falta de ar
  • Rinite que não melhora com anti-histamínico comum
  • Crianças que vivem “resfriadas” no inverno e respiram de boca aberta

Não espere a crise passar sozinha. Quanto antes o tratamento for ajustado, menos sofrimento e menos idas ao pronto-socorro.

Agendamento: (82) 99348-8989 | (82) 3023-0152