“Doutor, já tem mais de um ano que aparecem essas manchas no meu corpo. Elas coçam muito, somem sozinhas em algumas horas, mas no dia seguinte voltam. Já passei por três dermatologistas e ninguém descobre o que é.”
Essa é uma das queixas mais frequentes no consultório de alergologia. E a resposta, na maioria das vezes, tem nome: urticária crônica espontânea — uma doença que afeta cerca de 1% da população mundial e que pode durar de 2 a 5 anos quando não tratada adequadamente.
O que é a urticária crônica espontânea?
A urticária se caracteriza pelo aparecimento de lesões avermelhadas e elevadas na pele (as chamadas urticas ou “vergões”), acompanhadas de coceira intensa. Quando essas lesões duram mais de 6 semanas e não têm um gatilho externo identificável — como um alimento, medicamento ou picada de inseto — chamamos de urticária crônica espontânea (UCE).
O mecanismo por trás da UCE envolve a ativação desregulada dos mastócitos, células do sistema imunológico que liberam histamina e outras substâncias inflamatórias. É como se o sistema imunológico estivesse em “alerta máximo” sem motivo aparente, reagindo contra o próprio organismo.
A UCE pode se apresentar de duas formas:
- Apenas urticas — as manchas que aparecem e desaparecem em menos de 24 horas
- Urticas + angioedema — inchaço mais profundo em pálpebras, lábios, mãos ou pés, que pode ser doloroso e durar até 72 horas
O que piora a urticária?
Embora a UCE não tenha um gatilho externo único que “cause” a doença, alguns fatores são conhecidos por agravar as crises:
- Estresse físico e emocional — um dos principais fatores de piora relatados pelos pacientes
- Calor, suor e roupas apertadas — o atrito e a temperatura estimulam a liberação de histamina
- Infecções — quadros virais ou bacterianos podem desencadear surtos
- Anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) — como ibuprofeno e diclofenaco, que podem agravar a urticária em até 30% dos pacientes
- Álcool e alimentos ricos em histamina — como queijos curados, vinho tinto e embutidos
O que há de novo no tratamento?
O tratamento da urticária crônica segue um algoritmo em degraus, conforme as diretrizes internacionais EAACI/GA²LEN/EuroGuiDerm/APAAACI:
- Primeiro degrau: anti-histamínico de segunda geração (como bilastina, fexofenadina, cetirizina) em dose padrão
- Segundo degrau: aumentar a dose do anti-histamínico em até 4 vezes — sim, essa estratégia é segura e recomendada pelas diretrizes
- Terceiro degrau: omalizumabe (anti-IgE), um medicamento injetável que revolucionou o tratamento da UCE na última década
- Quarto degrau: imunossupressores como a ciclosporina
E agora, uma novidade importante de 2025: o FDA aprovou o remibrutinibe (Rhapsido®), o primeiro medicamento oral inibidor da BTK (tirosina quinase de Bruton) específico para urticária crônica espontânea. Nos estudos clínicos REMIX-1 e REMIX-2, o remibrutinibe demonstrou:
- Alívio da coceira e redução das urticas já nas primeiras 12 horas
- Eficácia sustentada por até 52 semanas
- Boa tolerância, com perfil de efeitos colaterais favorável
Isso representa uma nova opção para pacientes que não respondem adequadamente aos anti-histamínicos — algo que ocorre em cerca de 50% dos casos.
Dicas práticas para o dia a dia
Enquanto o tratamento não faz efeito completo, algumas medidas podem ajudar:
- Banho morno (nunca quente) e sabonetes suaves, sem fragrância
- Roupas de algodão, folgadas, evitando tecidos sintéticos
- Compressas frias nas lesões para alívio imediato da coceira
- Hidratar a pele diariamente — a barreira cutânea íntegra ajuda a reduzir a irritação
- Evitar AINEs — prefira paracetamol ou dipirona para dores, sempre com orientação médica
- Gerenciar o estresse — técnicas de relaxamento, atividade física regular e, quando necessário, apoio psicológico
Quando procurar o alergologista?
- Você tem urticas que duram mais de 6 semanas
- As manchas somem e voltam sem causa aparente
- Os anti-histamínicos comuns não estão resolvendo
- As lesões estão afetando sua qualidade de vida, sono ou trabalho
- Você tem inchaço nos lábios, pálpebras ou dificuldade para respirar junto com as manchas
A urticária crônica tem tratamento — e o alergologista/imunologista é o especialista capacitado para conduzir cada degrau da terapia, do diagnóstico ao uso de imunobiológicos.
Agendamento: (82) 99348-8989 | (82) 3023-0152
Clínica CLIM — Jatiúca, Maceió/AL
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